Fui Crente

Histórias de terror reais provocadas pela religião. Mande a sua para fuicrente@gmail.com

Ameaça ao estado laico no Brasil

A Câmara analisa a Proposta de Emenda à Constituição 99/11, do deputado João Campos (PSDB-GO), que inclui as entidades religiosas de âmbito nacional entre aquelas que podem propor ação direta de inconstitucionalidade e ação declaratória de constitucionalidade ao Supremo Tribunal Federal. Entre estas entidades estão, por exemplo, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), o Supremo Concílio da Igreja Presbiteriana do Brasil, e a Convenção Batista Nacional. [fonte]

[Via @guireisbh]

“Esse pai nunca se perdoou”

Essa história chegou através dos comentários do blog.

Nunca fui cristã

Nem por dentro, nem por fora, nem nas beiradas. Por sorte tive uma criação diferenciada, pagã, e graças aos ensinos da minha avó, nunca me vi numa situação aonde eu teria vergonha do meu próprio corpo, das minhas próprias idéias. Na minha infância, eu nunca ouvi nada como “deus castiga”. Mas a história aqui, não é sobre mim, de fato. Tive um amigo muito querido, que morreu pela crença na religião. Aos 16 anos, essa criança, (por que era uma criança, não há mais o que falar sobre isso) teve um infarto agudo do miocardio, causado por algum tipo de insuficiência que até hoje eu não sei exatamente o que foi. Ao invés de chamar uma ambulância, e no mínimo dos mínimos tentar salvar seu filho, o “crente pai” desse garoto, ajoelhou-se com uma bíblia, no peito dele, e começou a rezar, acreditando que o espírito santo salvaria seu filho de um infarto. Acho que esse pai nunca se perdoou.

“Você tem que acreditar!”

Acabou de acontecer. Almoço na casa da minha mãe. A mesa está cheia: pai, mãe, irmã, avó, primo. E essa amiga da minha mãe, que se veste que nem fiel da Cristã do Brasil, e hoje resolveu puxar papo comigo – e que em outra ocasião me olhou com horror quando disse que era atéia.

- Fabi, porque você não faz uma coisa diferente esse fim de ano?

- Acho que vou fazer, tem um amigo que parece que vai fazer um churrasc…

- Não, Fabi. Uma coisa diferente. Por que você não agradece a deus pelo ano que pass..

- Uai, por que eu faria isso? Eu sou atéia, não faz o menor sentido agradecer uma entidade em que eu não acredito.

- Mas você tem que acreditar!

- Olha, eu fui crente por quase 20 anos. Posso afirmar com certeza que sei mais de bíblia que todo mundo que está sentado nessa mesa junto. A religião só fodeu com a minha vida, inclusive me jogando no poço sem fundo da depressão. Você me pedir pra acreditar só me ofende profundamente. Então, por favor, pare.

Todo mundo ficou constrangido com minha atitude e só conseguiu encarar o próprio prato.

Como respeitar religião desse jeito?

Fonte:

Em uma entrevista concedida ao diário La Opinión de Tenerife, o bispo desenvolve a ideia até contestar à jornalista que, previamente, lhe tinha assinalado que “a diferença entre uma relação homossexual e um abuso está clara”. Por se persistirem as dúvidas, a entrevistadora recorda ao bispo que “um abuso é uma relação não consentida”. A resposta do prelado não deixa lugar para as dúvidas:

“Pode ter menores que sim o consintam e, de fato, há. Há adolescentes de 13 anos que são menores e estão perfeitamente de acordo e, além disso, desejando-o. Inclusive, se ficares distraído, provocam-te”. Na mesma conversa, o prelado apresenta, sem nuances, todos os preconceitos da Igreja católica contra os homossexuais. “É algo que prejudica as pessoas e a sociedade”, critica o bispo.

Como respeitar uma religião que não respeita os seres humanos? Como respeitar uma religião que te chama de aberração, te classifica como cidadão de segunda categoria, quer quer regular o modo como você usa o seu corpo, acha que seu modo de amar alguém é uma doença e julga que a opinião de crianças e adultos têm o mesmo peso só pra poder justificar crimes cometidos e acobertados pela sua ordem religiosa?

Tem que respeitar religião porra nenhuma. Pessoas merecem respeito. Idéias não. Idéias, quando prejudiciais, devem ser discutidas e combatidas.

Nunca me perdoarei por ter sido cristã

Dia desses estava no ônibus em direção a minha casa. Entrou nele um rapaz que de vez enquando utiliza a mesma linha que eu e passa a maior parte do tempo falando ao telefone com amigos, contando fatos pessoais de sua vida em voz alta. Já havia percebido que ele pertencia a alguma denominação neo-pentecostal por várias palavras-chave que ele usa durante as conversas, mas esse dia ele me impressionou.

Ele falava com sabe-se lá quem sobre a namorada. Por todas as conversas que já ouvi desse sujeito, já tinha notado que ele, que deve ter uns 25 anos para mais e se diz “obreiro”, deve namorar uma garota de 15, 16 anos no máximo. E ele dizia, convicto e cheio daquela certeza que só crentes têm, que a proibiu de uma série de coisas. Em um primeiro momento, achei que eram proibições “normais” que os crentes geralmente impõem às suas namoradas (namoradas, no feminino, que fique claro), como não usar roupas curtas ou sair à noite, mas quando ele disse que a havia proibido de fazer trilha com amigas da escola e também de conversar com uma amiga que segundo ele parecia lésbica, eu temi pela vida dessa menina.

E o rapaz foi o caminho todo destrinchando uma série de clichês bíblicos, como que o homem é o cabeça da família, logo a última palavra devia ser dele, ou que agora a menina frequentava a igreja com ele e devia se portar do jeito que ele quisesse. E por mais que no passado eu tivesse pertencido a uma denominação protestante, de cunho quase oposto à dele, fui reconhecendo toda aquela coisa, aquele ranço preconceituoso que faz parte do cerne de qualquer religião derivada do eixo judaico-cristão (e aí se incluem a maioria das religiões ocidentais e do meio-oriente) e me entristeci. Muito mesmo.

Virei para o lado e comecei a chorar baixinho. Aquilo, aquele universo onde aquele rapaz vive, cheio de machismo e preconceito de gênero e contra quem pensa diferente eu conhecia muito bem. Muito mais do que gostaria. Eu fui daquele jeito. E me desespera lembrar que contribuí de maneira direta para que várias mentes jovens e sadias, que deveriam estar descobrindo seu corpo e sua sexualidade, se castrassem simbolicamente e castrassem seus cérebros do pensamento crítico.

Eu provavelmente fui responsável pela miséria de vida de muita gente, e financiei com meu próprio dinheiro a destruição de vidas e de culturas do outro lado do país e do mundo. Eu, que sempre me julguei minimamente inteligente, fiz algo que hoje me envergonha mais do que qualquer outra coisa que tenha feito na vida, destruindo vidas em potencial. Nunca vou me perdoar por isso.

A maioria das pessoas pensa que o cristianismo é uma religião inofensiva que prega a paz e o amor entre irmãos, mas selecionando as partes boas e desprezando as ruins isso é bem fácil. Todo preconceito destilado pela bíblia é interpretado e subvertido pelos crentes esclarecidos, mas a mensagem de ódio continua lá.

Se luto hoje contra a religião dentro dos meus termos, tentando ajudar pessoas a exorcizar seus fantasmas, é por isso. Se o cristianismo te traz paz de alguma forma, nem perca seu tempo discutindo comigo. Ele pode te trazer paz, mas não se pode negar todo o teor odioso e preconceituoso contido nele. Você pode selecionar trechos bonitos de amor ao próximo, mas não pode esquecer que junto dele vem muito mais ódio, morte e desrespeito ao próximo do que amor. Amor é uma parte muito pequenininha dentro de tudo o que o cristianismo propõe, e geralmente se chama de “amor” algo bem diferente do que realmente o amor deveria ser: respeito pelo outro.

O cristianismo desrespeita e cospe na cara, e promete uma eternidade inteira de sofrimento e terror a quem ousa discordar discordar dele. O cristianismo é uma afronta à inteligência e ao potencial humano.

“Religião destruiu minha família”

“Não me permitia me sentir bem com meu próprio corpo”

Outra história onde a religião tem papel determinante na castração simbólica das mulheres e contribuindo igualmente para a baixa auto-estima das pessoas. Essa foi enviada pela Patrícia:

Eu tive meu primeiro namorado aos 15 anos e namoramos por 3 anos.

Fui criada por minha avó e minhas tias (que não tiveram filhos).

A mais conservadora delas, me deu um livrinho falando sobre adolescencia e a descoberta da sexualidade, onde tudo era pecado.

Masturbação, tocar o proprio corpo, tocar o corpo do rapaz e o pecado maior era a relação sexual.

Carreguei esse peso de achar que sexo era pecado por muitos anos o que não me permitia me sentir bem com meu proprio corpo e com a minha sexualidade. Sempre fui cheinha e essa mesma tia sempre me critico muito e critica ate hoje.

Eu nunca fui uma “cristã exemplar”, acho que já era minha veinha ateista falando bem baixinho no pé do meu ouvido.

Agora com 39 anos e casada a 11, tenho uma vida sexual incrível, pois meu marido me aceita como eu sou.

“Estou sendo boicotada”

História terrível de preconceito contra não-crentes. Está anônima porque a pessoa que enviou não deixou claro se pode divulgar a identidade ou não.

Venho sofrendo muito com a discriminação direta e indireta. Agora no meu trabalho todo mundo resolveu parar de falar comigo. Dizem que eu tenho q aceitar Jesus ou pelo menos Deus. Porque sou uma pessoa vazia e se andarem comigo estarão se unindo ao demônio que há dentro de mim. Apenas uma pessoa teve a decência de vir falar comigo p explicar o que ocorria.

Quando cheguei , havia sobre a minha mesa um cartão com a imagem de Jesus e com a seguinte frase : Deus te ama, abra seu coração que ele fará o melhor por ti, basta aceita-lo para ser feliz! e todos assinaram o cartão.

E para piorar, eu estou sendo boicotada. Me cancelaram de alguns projetos e pelo que estou vendo não vai parar por aí.
Ta muito difícil! Já passaram dos limites!!! :(

“Assustadíssima, morrendo de vergonha”

Pra quem acha que só as religiões derivadas do judaísmo levam a culpa e buscam a restrição da sexualidade feminina, temos aí um caso triste no espiritismo:

No meu primeiro ano de faculdade, com recém completados meus 18 aninhos, eu ainda era espírita, e era radicalmente contra o aborto (ainda não tinha na minha cabeça muito clara a ideia de Legalização do Aborto, nem laicidade do Estado, e tinha uma ideia de que “os outros são imaturos se propõem isso, como eu sei a “verdade” do que acontece do outro lado, faço um favor de dificultar o caminho de suas escolhas”, pensamento hoje que eu considero escroto e imbecil).

Numa das primeiras festinhas que fui, transei com um cara, uma das primeiras transas da minha vida, o primeiro nessa situação de festa. Eu ainda morria de medo de ficar grávida, achava que qualquer coisinha fora do lugar deixava o risco imenso de ficar grávida. A camisinha ficou pra dentro da minha vagina. Tivemos que procurá-la lá e tiramos. Eu ainda não sabia bem qual era a quantidade de esperma que ficava na camisinha, não sabia se escapava ou não, fiquei bem assustada com essa situação.

Não dormi a noite. O que fazer? E se eu engravidasse de um desconhecido completo no primeiro ano de faculdade? O que eu diria para minha família? Como eu estudaria?

Tomar pílula do dia seguinte? Mas ela não é abortiva? Até então, eu achava que pílula do dia seguinte era abortiva, e fiquei na grande dúvida: faço um aborto ou não? Me debati em culpas e em medos, em desespero. No dia seguinte, fui na farmácia, assustada, assustadíssima, morrendo de vergonha e comprei. Li a bula e descobri que eu não faria um aborto se tomasse, que a pílula só maduraria o óvulo a ponto de ele não poder ser fecundado mais. Relaxei e tomei.

Carreguei esse sentimento de “eu teria feito um aborto” por muito tempo, até largar as ideias de religião. Hoje sou atéia, tenho uma visão que eu mesma criei sobre a espiritualidade a partir do que eu sinto, e não de dogmas babacas a escravizar seres humanos, essa ideia de tirar de nós tudo o que temos de precioso e colocar num deus superpoderoso.

“Onde está o conforto da fé”

Mais uma história de dor e culpa causada pela religião:

Pois é eu nunca fui, minha família também não. Segui até os 5 anos sem ser batizada, por volta dessa idade aconteceu um acidente que tirou a vida de minha irmã mais velha, que também não era batizada. Estudavamos numa escola católica, não por crença, mas pela oferta pedagógica. As freiras em vez de consolar o coração doído de minha mãe que havia perdido uma filha, fizeram de tudo para deixá-la com ainda mais culpa: disseram que minha irmã estava no purgatório! Porque não havia sido batizada!

E convenceram meus pais a batizar a mim e meu irmão, e claro, desesperados e sofrendo, fizeram isso.
Onde está o conforto da fé, das pessoas de fé? Na imposição de seus dogmas?